O Céu


No dia seguinte, quase à hora do Ângelus, eu aguardava a vinda de Jesus e vi como se uma tocha de fogo caísse sobre a minha casa. Um lindo pombo branco, envolto em luz, assobiou como passarinho olhando para o alto, bateu as asas e fez uma brisa vir sobre mim: quanta paz senti! No mesmo instante, ele voou de um lado ao outro, e desapareceu. Senti que era o Espírito Santo, que é Fogo de Amor de Deus; é Paz, e o Doador da Vida.

Naquela noite repousei na mais completa paz, porque sentia em mim grande amor por Deus.

De madrugada Nosso Senhor veio. Rezamos pela China. Nossa Senhora me disse que ficasse preparada, porque o próprio Espírito Santo viria ao meu encontro e, acompanhada do meu Anjo da Guarda, eu iria conhecer um pouco das maravilhas celestiais: o CÉU.

Fiquei o dia inteiro preparando tudo. Chegou a tarde, vesti minha melhor roupa e comecei a recitar o Terço.

Quase nem conseguia rezar, de tão empolgada. Quando, por volta das 16:00 horas, vi um risco de fogo cruzar o céu e sobre minha casa aquele pombo gigante, envolto em fogo, paz e santidade. Cruzou o céu com tamanha velocidade que nem dava para ver, retornando ao mesmo lugar, abanando as asas e tomando a forma de nuvem. Nisto, apareceu um jovem elegante, esbelto, de cabelos dourados, encaracolados e compridos, de semblante muito feliz, vestido de túnica branca com um cordão na cintura. Trazia nas mãos uma lança de ouro com uma bandeira branca, que tremulava pela brisa que vinha do Espírito Santo. Vi então, ao lado do meu Anjo da Guarda, surgir uma escada de ouro, toda bordada, como renda, tudo em pedras preciosas. Olhei para o meu Anjo e ele me sorriu e me convidou a entrar.

Ao começar a subir, senti como se estivesse subindo dentro de uma cruz. Escutei marteladas. Olhei para o meu Anjo, que me disse: “Todos os que vão para o Céu passam pela Cruz. Ninguém vai ao Céu senão por meio de Jesus, que abriu as cortinas do Templo e deu passagem a todos os remidos. Este barulho que está ouvindo, todos os que vão para o céu  ouvem-no. Todos testemunham a Crucifixão e a Morte de Jesus. E aos herdeiros, a vida e o paraíso. Crê no Senhor e deixa que Ele viva em ti.”

De repente, vi o globo terrestre azul: terra e água. Acima, uma grande região de ar, onde nas nuvens se formam relâmpagos e tempestades.

Mais acima, vi a esfera do elemento fogo, depois a lua, o sol e mais planetas; o firmamento com todas as estrelas como que incrustadas e gravadas nele. Sempre subindo, uma imensidão, azul, um céu cristalino, cascatas também cristalinas... Permaneci imóvel... Também águas, as mais claras e límpidas inimagináveis... Notando minha incontida alegria perante visão de tanta beleza, meu Anjo explicou: “Este é o mar cristalino e as muitas águas que Deus separou das outras que cobriam a terra, quando criou o mundo.”

Mais acima, uma cidade de ouro, com lindas torres. O Anjo esclareceu: “Este é o Céu Imperial. Resplandecente como milhares de sóis juntos em sua plena claridade. Esta é a Cidade Santa, a Jerusalém triunfante, a Morada de Deus, a Pátria celeste, desejada e alcançada pelos Santos.”

Vi descer uma escada cristalina e vi vários Anjos em cada degrau, dando passagem também para várias outras pessoas, que já tinham luz em seus corpos. Meu Anjo disse: “Estas são almas santas, purificadas, elevadas ao Céu, acompanhadas de seus Anjos. Serão Santos de Deus, a interceder em favor dos que estão no mundo.” Estas almas vinham do purgatório e subiam ao céu.

Passamos por aquelas fileiras de Anjos, cada um mais belo e deslumbrante que o outro! E todos sorrindo de alegria.

Entramos por um grande portal, e a primeira coisa que me foi mostrada foi a beleza do lugar. De longe avistei uma grande cidade. Ao entrar, só consegui exclamar: Meu Deus!... Era um lugar amplo, a perder de vista, todo iluminado, presentes todas as hierarquias dos Anjos perfeitamente organizados.

Cada Anjo tem tanta glória, tanta formosura e a quantidade deles é tão grande que, se juntassem desde Adão até o tempo presente, seriam dez Anjos para cada pessoa! Ao lado dos coros dos Anjos estão os coros dos santos, dos patriarcas, dos profetas, dos Apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens – todos numa admirável ordem e variedade. Todos que lá chegam são mais sábios que Salomão, mais resplandecentes que mil sóis, e todos coroados com a imortalidade, todos filhos do mesmo Deus. Todos lá vivem em paz duradoura, em perfeita concórdia e com imensa alegria. Por toda parte soam suaves músicas e melodiosos cânticos. Todos falando e conversando com o Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhando-o e adorando-o e beijando suas santas Chagas, como preço pago pelo resgate de todos. Vi Nossa Senhora saindo do seu trono.      
― Meu Deus, que formosura! E todo o Céu louvando a beleza, a formosura e a majestade incomparável de Maria Santíssima. Nela está a Sabedoria de Deus!

Vi lindos e aprazíveis jardins, jardins de delícias do Esposo Castíssimo das almas; os palácios celestiais, o céu de glória do povo santo, até onde Deus manifesta todo o seu poder: o Paraíso de todas as delícias.

Nestas alturas, conforme fomos andando e passando por entre as ordens do Céu, isto é, entre os coros, eu até já me havia esquecido do meu Anjo.

Vi um grande trono coberto por uma luz resplandecente, ao som de uma melodia. Anjinhos como crianças descerem de várias escadas, todos em sonora alegria. Então percebi que todos se prostravam diante do poder e realeza das Três Pessoas Santas que regem o Universo (a Santíssima Trindade). Era de ver o gozo e a alegria no rosto de cada ser celestial, especialmente no momento em que Deus concedeu a um coro de Anjos tocar instrumentos e ao mesmo tempo entoar um cântico de louvor à Virgem Maria, pelo poder que Deus lhe estava concedendo, de ser a Imperatriz do Céu, a mais bela Mulher, coroada Rainha e ornada de luz... Ela, acompanhada por um cortejo de Anjos, descendo sobre o Mundo, toda envolta em luz, luz provinda de seu Coração e alcançando até as extremidades da terra. Ela, a Peregrina de Deus no mundo, reunindo os pequenos grupos de pessoas por ela formados, instruindo-os e expulsando deles o mal. Ela desce ao mundo refulgindo milhares e milhares de vezes mais que o sol, e sua luz atrai os povos a Jesus. Eu a vi subindo ao Céu para diante de Deus e se prostrando e com lágrimas de sangue apresenta à Santíssima Trindade a cruz, os pregos, a lança e a coroa de espinhos.

Vejo estes objetos sendo erguidos como um selo no coração de Deus Pai. No meio daquela claridade, a presença do Pai, que põe sua mão no Coração e raios de luz penetrando todos os lugares e chegando à Terra e fazendo brilhar as torres das Igrejas. Nesse momento sou arrebatada para dentro de um palácio com doze colunas gigantes. Tudo muito claro, sem nenhuma mancha. As doze torres se transformaram em outros tantos homens grandes, voltados para o Céu. No meio de uma das torres que se formava uma poltrona. Os Doze apóstolos se prostraram com as mãos erguidas, o rosto e olhar dirigidos para o Alto e no ponto mais alto, como que em meio às nuvens, vi o Cordeiro de Deus, imolado, pregado na Cruz, os Anjos a recolher em taças o Sangue que caia das Mãos, dos Pés e do Seu Coração. De um instante para outro, a Cruz, onde estava o Cordeiro, transformou-se numa chama de forte luz, e ouvi a voz: “Este é o sinal do Filho do Homem, que aparecerá no céu, no fim dos tempos e o início da glória para os eleitos de Deus.” Em seguida, o local encheu-se de Sacerdotes, vindos de todas as partes, de trás das colunas, a Voz falou: Estes Sacerdotes gozarão da felicidade, contemplando seu Senhor por toda a eternidade, pois seguiram o exemplo dos Apóstolos de Jesus. Ensinaram ao povo eleito amar e adorar Jesus Eucarístico em seus lugares e tempo. Agora terão a felicidade de se unirem aos Apóstolos de Cristo como reis.

“Os Sacerdotes precisam ensinar ao povo de Deus, a eles confiados, que ninguém vai ao Pai e participa da Glória a não ser pelo Senhor da Glória, Jesus, o Cordeiro de Deus.”

Seguidamente, vi uma grande multidão de seres celestiais, que no meio dos jardins celestes gozavam da presença e agradável companhia de Jesus Eucarístico, Senhor do Céu, da Terra, do tempo, do ar, da luz, de tudo. O lugar, formoso, grandioso, todo resplandecente. O tempo, perpétua primavera, que com a frescura e o ar do Espírito Santo sempre floresce. Todos cantam hinos de alegria, todos contentes louvam e glorificam a Deus. Perguntei ao Anjo: E eu, onde vou ficar, quando vier para cá? Ou será que já posso ficar agora? Apenas ouvida a pergunta, então meu Anjo me transportou para uma grande sala, onde muitos Anjos, juntos com Nossa Senhora, preparavam um jardim, de vários tipos de flores. Canteiros divididos, pareciam uma horta, como costumamos ter na terra. Vários canteiros e Nossa Senhora cuidando de todos. Vi um canteiro pequenino, com umas plantinhas que mal acabavam de brotar, bem preparado, as plantinhas bem frágeis em comparação com várias outras já com flores e brotos. Mas, o que mais me chamou a atenção foi aquele canteirinho de brotos tão frágeis, que Nossa Senhora acompanhada de Anjos cuidava carinhosamente. No meio, umas plantinhas com tenras folhas, que lutavam para vingar. Nossa Senhora as acariciava com seus dedos, beijava-as e passava a ponta do dedo sobre as outras que acabavam de nascer.

Meu Anjo fez questão de explicar: “Vês: Estas são flores que pelas mãos de Maria toda poderosa, estão prontas a transpassar o inimigo. Ela as cultiva para a grande batalha que acontecerá no mundo. Este pequeno canteiro representa os Filhos do Silêncio, que desprezarão o mundo e se unirão à Virgem Maria pela Cruz Gloriosa, que iluminará a Humanidade no momento das trevas. As folhinhas maiores são as almas piedosas dos Filhos Prediletos (os Sacerdotes) da Imperatriz do Céu, que se unirá aos pequenos grupos e aceitará a direção enviada do Céu, pelas mãos de Maria, a divina Imaculada.”

― E estas plantinhas que acabam de nascer?

O Anjo explicou: “Estas são almas generosas, em cujo coração habita Deus Altíssimo, que te seguirão no caminho traçado pelas Mensagens de Maria, na missão de tua vida, em cujos segredos revelados por Deus eles te darão auxílio. Agora chegou o momento do teu retorno à terra. Guarda estas coisas todas no teu coração. Ao toque do Altíssimo  revelarás aos povos, para que acreditem na Misericórdia do Deus Altíssimo para com seu povo. O Senhor chama  a atenção de sua Igreja, para a leitura das Cartas enviadas às Sete Igrejas, segundo a revelação do Apocalipse de São João, visto que o tempo está por findar para o mundo, e em breve virá o julgamento. Lembre aos Sacerdotes de Deus que o Mal reina em muitos lugares e nos Templos, e a Igreja será purificada e seguirá os passos de seu Senhor.  O mal não prevalecerá sobre a Igreja, embora domine sobre os homens desta geração. Os Santos serão elevados em glória, quando Deus vier com o seu justo julgamento. Agora, vai e vive em paz, ao som da voz da Mãe Silenciosa, que por tantos é rejeitada no mundo. Eu te sigo, te amparo e protejo.”

Então o Anjo me transportou novamente para a Terra.

Assim, sempre em adoração e orações, ouvia e via Nossa Senhora e Nosso Senhor Jesus Cristo, de maneira que não dava um passo sequer por mim mesma, mas em tudo buscava em Deus a minha direção. Ao viver alguma crítica e ver a perturbação de pessoas, pensava comigo e vinham à minha memória os rigores com que são tratadas as almas que caem no inferno, lugar de dor e solidão bem como as alegrias e delícias sem fim das almas fiéis que chegam a Deus. Imaginava comigo quem seriam aquelas almas simbolizadas pelas folhinhas e acariciadas pela nossa Celeste Mãe e quais seriam os Sacerdotes testemunhas disto? Estas perguntas todas, porém, guardava-as no coração, aguardando o tempo de Deus.

Escrevia tudo o que Nossa Senhora me pedia e falava. Até que um dia ela veio junto com Jesus e me disseram que eu deveria procurar o Bispo Dom Arnaldo Ribeiro, e levar as mensagens e ensinamentos dos quais eles haviam me transmitido, me mostrando uma visão do nosso país com oito cruzes iguais àquela grande cruz azul e branca: a Cruz gloriosa de Dozulé. Nesta visão saía uma luz da cruz que formava uma Hóstia, um cálice e uma árvore frondosa. Eles me disseram que o Bispo deveria autorizar que estas cruzes fossem plantadas nas fronteiras do Brasil e junto com outros Bispos levassem o povo a fazerem um verdadeiro exame de consciência, para realizarem uma boa confissão.

Naqueles dias veio Jesus cheio de amor. Estendendo-me suas Mãos brilhantes e afagando-me a alma, disse: “Minha menina, os homens se esqueceram das riquezas que seu Deus lhes dispensou. Por este motivo, o mundo definha num aniquilamento total. Eu desejo salvar os meus; por esta razão venho a ti. Tudo será endereçado e caminhará para a honra e glória do teu Senhor e Salvador. Escreve. Eis o que diz o Senhor para os seus prediletos. Eu restauro o que o avanço tecnológico destruiu. Mais uma vez chamarei os pecadores a entrarem no meu sacrossanto Coração, cheio de amor e misericórdia para com todos. Feliz quem ouve seu Senhor e se põe a caminho, o caminho da luz. Pelo meu Santo Espírito, ensinarei a todos a avaliar a gravidade dos pecados, que tanto afastam de Deus. EU SOU. Sou e estou presente pela Santa Cruz. Ouve o que diz teu Senhor: Usarei tua mão. Aos homens repito: Já está escrito e abafado, já não dão valor, mas hoje se tornou o meu grito: Escuta e escreve! O Espírito Santo, presente em ti fala-te fortemente. Filha, dá-me o teu coração.”